Pattinson Daily: Espalha Factos: The Lost City of Z é visualmente irrepreensível
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Espalha Factos: The Lost City of Z é visualmente irrepreensível

8 de maio de 2017

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Com tanto biopic para estrear o ano todo nas nossas salas – contando com uma saturação inegável durante a época de prêmios, às vezes resta a um cinéfilo perguntar-se que grandes histórias ainda faltarão contar. E no meio de tanto biopic acadêmico, acima de tudo, interrogar-se, se ainda valerá a pena contar alguma grande história verídica. E eis que está aí James Gray, com o seu novo filme, A Cidade Perdida de Z.

A história verídica do explorador britânico Percy Fawcett (Charlie Hunnam) é o tema de A Cidade Perdida de Z. Numa viagem à Amazónia no início do século XX, Fawcett descobre provas de eventual civilização até então desconhecida, a qual teria habitado a região. Relatos de um nativo, de uma cidade de ouro, aguçam-lhe a curiosidade. O descrédito da preconceituosa comunidade científica da época não tarda, e, num surto de determinação, e contando com o apoio da sua mulher (Sienna Miller), do seu ajudante de campo (Robert Pattinson) e de um abastado biólogo (Angus Macfayden), Fawcett acaba por regressar à selva. Tudo pelo sonho de encontrar a cidade, essa que tão eloquentemente denomina de Z.

Uma ode à obsessão destrutiva e ao sonho de Percy Fawcett, A Cidade Perdida de Z é um filme absolutamente deslumbrante. A lente da câmara de Darius Khondji, mais que meter-nos no centro da ação, leva-nos às profundezas da selva amazônica, em shots tão saturados e fílmicos que quase conseguimos sentir a umidade do lado de cá da tela. A mais recente produção de James Grey é visualmente irrepreensível; quer seja na Inglaterra das primeiras décadas do século XX, quer na imensidão da Amazônia, há um realismo e uma exatidão deveras imersivas. Nunca, em qualquer instância, julgamos estar a ver um set, e isso diz muito do filme de Gray.

Gray, mais que um poeta da imagem, sabe traçar o coração de um personagem. Charlie Hunnam pode não ser o ator mais dotado, mas, a proferir as falas – e a chorar as lágrimas – escritas por Gray, ninguém o diria. O Percy Fawcett de A Cidade Perdida de Z é mais que uma imagem biográfica; é uma personagem de ímpeto e caráter comoventes, e para quem acredita que uma boa escrita consegue pérolas dos seus atores, A Cidade Perdida de Z é a prova viva de tal. Até Robert Pattinson se escapa a parecer o tão tipicamente sofrível; já Sienna Miller volta a mostrar o quão subvalorizada é como atriz, em particular na sua cena final, devastadoramente sublime.

Ainda assim, A Cidade Perdida de Z não é uma película isenta das suas falhas. Se antes de entrar na sala existir a expetativa de que a aventura rio acima seja uma corrida de thrills e suspense cortantes, compramos bilhete para o filme errado. Isto não é um rip-off do Apocalypse Now (1979) de Francis Ford Coppola, o cinema de Gray não precisa e não vive disso; contudo, estaríamos mentindo se disséssemos que o clímax do filme é menos que tenso.

É inevitável pensar a certa altura, no entanto, se tantas cenas de diálogo no seio da Royal Geographic Society eram realmente necessárias. Isso e toda a exposição dada ao James Murray de Angus Macfayden, que teve sem dúvida o seu lugar na expedição, mas que em última análise parece sofrer de excesso de foco. São males menores, todavia, numa película equilibrada, com todas as frentes da sua produção em pleno estado de graça.

Quando chega o final das aventuras de Fawcett, há somente um pensamento que paira no ar. Não importa qualquer pequeno defeito do filme de Gray, quando a verdade prevalece: já não se faz cinema assim. Quer estejamos a contemplar a luxuriante cinematografia em película, a audácia de filmar no coração da selva, ou simplesmente a ideia de arriscar com uma história que, no meio de tanto fracasso, encontra raros momentos de triunfo, há uma noção definida. A noção de que James Gray é um grande cineasta, e que, ainda que esta não seja a sua obra prima, há aqui todo um valor bruto que é raro encontrarmos na tela do cinema nos dias que correm.