Pattinson Daily: Scans + Transcrição: Entrevista do Robert para a Les Cahiers Du Cinéma (França)
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Scans + Transcrição: Entrevista do Robert para a Les Cahiers Du Cinéma (França)

14 de junho de 2017

Robert está na capa da edição de junho da revista Les Cahiers du Cinema, que estará disponível nas bancas dia 14 de junho.

Transcrição

Good Time estrou na competição de Cannes com Robert Pattinson no filme sendo: um maníaco, desgrenhado. Quando nos encontramos com ele dois dias depois, o ator estava com sua figura desajeitada, como ele se define: magro e pronto para a desarticulação. A sua timidez não é falsa e o seu nervosismo é expressado por suspiros com calor expressivo. Ele é um daqueles atores envergonhados pela sua beleza e que duvida das suas qualidades como ator. Da nossa parte, não duvidamos dele há muito tempo.

O personagem muito físico do filme de Josh e Benny Safdie é outra metamorfose na sua filmografia cada vez mais e mais rica, ele escolhe papéis com um gosto óbvio pela novidade. O prêmio de melhor interpretação seria perfeito para reconhecer este caminho após o sucesso mundial de Twilight, que o fez uma estrela; e lhe trouxe mais filmes aventureiros com David Cronenberg, James Gray ou Werner Herzog. Mas Pattinson não parará por aí. Há High Life de Claire Denis e Idol’s eyes de Olivier Assayas (irá contracenar com Sylvester Stallone), ele já anunciou uma colaboração com Ciro Guerra, o diretor colombiano de Embrace of the Serpent.

Robert faz as primeiras perguntas

Rob: Você se divertiu no festival?
Repórter: Sim, mesmo que os filmes em competição não fossem tão bons este ano.. Sortudos fomos nós que tivemos um bom tempo assistindo Good Time!
Rob: Você assistiu outros filmes?
Repórter: The Day After de Hong Sang-Soo
Rob: Oh sim, Claire Denis falou-me desse filme, ela adorou. Tenho de ver.
Repórter: A quinzena de diretores apresentou um filme muito bom de Claire Denis, L’Amant d’un jour de Philippe Garrel e Jeannette de Bruno Dumont.
Rob: Jeannette?! Disseram-me que era ruim.
Repórter: Pelo contrário, é brilhante!
Rob: Oh, então tenho de ver.

Agora as perguntas serão feitas pelo jornalista.

Good Time foi um fenômeno em competição.
Sim provavelmente, mas no início o filme não estava em competição. Se o filme estivesse nas exibições especiais, a recepção do público seria diferente, seria levado como um filme divertido. Mas é um filme mais sério.

Você que entrou em contato com os Safdie para trabalhar com eles?
Vi um poster de Heaven Knows What na internet e disse a mim mesmo que se eles estavam usando aquele tipo de imagem para promover o filme, então a sensibilidade deles é interessante para mim. O trailer era incrível, realmente enérgico. Encontrei-me com eles e em questão de segundo soube que eram bons. É aquele tipo de coisas que se sente. Vi o filme durante esse primeiro encontro e disse-lhes: 'vamos fazer algo juntos, o que quer que seja'. Eles têm esta rara qualidade de reagir e tomar decisões muito rápidas. Normalmente seria: 'okay', e demoraria muito tempo. Com eles foi 'vamos fazer isso!' e um mês depois recebi a primeira versão do roteiro. A ideia original para Good Time era muito diferente, eu seria o irmão de Buddy Duress e tínhamos cursos de interpretação, foi estranho.

Josh Safdie te enviou a biografia do personagem antes de te mandar o roteiro?
Sim, acho que foi antes. É parte do seu processo de escrita. Josh quis que eu aprendesse aquelas 5, 6 páginas sobre a vida do Connie, o que me deu a entender que ele foi preso com 12 anos, por exemplo. Senti-me como um policial aprendendo sobre um prisioneiro. Nada de extremo aconteceu ao personagem. Soube como ele cresceu, os nomes dos membros da sua família. Na segunda versão do guião, tive trocas de e-mail constantes com o Josh e Ronnie Bronstein. Quis ter a certeza de caminhar na direção certa então contei-lhes sobre a minha ideia de roteiro ideal e eles sempre me responderam e foram sempre muito 'mentes abertas'.

Demorou muito?
Cerca de 8 meses. Falamos diariamente enquanto eu estive na Colômbia a gravar The Lost City of Z, porque lá não havia muito para fazer. Isso fez com que eu investisse no roteiro e me sentisse realmente conectado com a história.

Desde o início que houve uma mistura entre a impulsividade e os lapsos do tempo.
Sim, é assim que eles trabalham. Acho que a maior parte dos outros atores não leu o roteiro, à exceção do Buddy, talvez. Cinco minutos antes da cena começar a rolar, o Josh explicou-a. É louco, nunca tinha visto isso, esta forma de colocar o set sob pressão, nem entendo como funciona! Da minha parte, preparei-me convencionalmente para o papel. Adorei os diálogos, mas Ronnie e Josh estavam prontos para desistir. Josh podia ter-me dito: 'Adoro a voz que usou nesta cena, vai em frente, faz o que quiser, agarra o diálogo para ti!' Mas eu queria as palavras já escritas. Todas as pessoas à minha volta estavam improvisando, então eu tentei manter-me na linha. Foi um pouco assustador. Quando o teu parceiro apenas improvisa quando a cena é suposto ir de uma determinada maneira e tens a certeza que ele ia dizer o oposto do que estava escrito! Então tive de trabalhar constantemente em intenções, o que foi excitante.

Trabalhou com algum destes atores antes de chegar ao set, por exemplo com Buddy Diress?
Não. Acho que Buddy estava preso antes do filme ser feito, se bem me lembro tivemos de atrasar as filmagens porque tivemos de esperar que ele fosse libertado. A maioria dos atores desempenham papéis próximos da forma como eles são na vida real. Eles são na sua maioria novaiorquinos e eu estava com medo de não me encaixar. Foi o meu maior medo durante as filmagens. Não tinha nada de novaiorquino, todos eles estão olhando para você para ver se está fingindo. Trabalhamos por tanto tempo que como consequência, fiquei com o sotaque de Queens enquanto estive lá. Não veio do papel, mas mais do quotidiano. Tudo se torna mais fácil quando temos tempo.

O seu personagem está em uma constante metamorfose durante o filme. Algumas destas metamorfoses são ideias suas?
Josh e Benny têm um universo muito preciso, uma espécie de ambiente, e eu soube que me queria tornar parte disso. Precisei de estar incluído, precisei de andar nas ruas, interagir com pessoas de fora. Em todas as minhas outras experiências de set em Nova Iorque, as pessoas reconheceram-me, como toda a gente pelo mundo fora – os pedestres queriam tirar fotos minhas. Era um dos meus medos, especialmente ao trabalhar com atores não profissionais. Acabar me tornado uma curiosidade para as pessoas à volta. Então começamos a experimentar roupas e maquiagens, eu ia à rua ver se as pessoas me reconheciam. Um dia, fomos a uma estação de lavagem de carros à procura de autorização para gravar, usei essas roupas, tinha manchas na cara, barbar falsa e consegui ver nos olhos das pessoas que eles não me reconheciam. Usei o personagem para me esconder.

Connie tenta constantemente se esconder e fugir dele próprio. É como você? Tornou-se um papel pessoal?
Sim, ele é uma espécie de ator sem perceber. Ele também é como um cão que arranja sua própria causa. É sempre fascinante ver este animal andando cada vez mais rápido de uma maneira tão obsessiva. Está certo, há algo realmente pessoal aqui mas não consigo definir o que é. Muitos elementos foram tirados do filme, havia sequências de sonhos onde o personagem parecia mais místico... Quando amas isolado dos outros, a imaginação agarra mais e mais de você e perdes o contato com a realidade. Falamos sobre isso com Josh, por exemplo na cena em que Connie está no hospital, ele cruza com um policial e diz-lhe que estava no quarto com o pai e que há um problema com a televisão... mas para mim ele não mente: na cabeça dele, aquilo aconteceu. Por um lado, ele imergiu na realidade mas é constantemente um mundo imaginário. E é algo que partilho com ele.

O seu gosto pela transformação já estava em The Lost City of Z ou The Rover.
Quando mais se avança na vida, mais sabe sobre que tipo de atitude despontará esta ou aquela reação, mas usar esse conhecimento em um filme dá-me sempre a sensação de que estou me repetir, de que estou a ser sendo. Mas para fazer algo que nunca fiz na vida...Não sei, o que te estou tentando fazer não faz sentido! É apenas uma maneira de se livrar de toda a vaidade, todos os 'Eu quero ser bonito'. E se a maioria dos atores que querem ser transformados, é só porque têm um enorme sentimento de constrangimento e vergonha deles mesmos. Queremos nos convencer de que podemos ser alguém, enfrentar melhor a realidade.

Você modestamente faz isso também. No filme de James Gray tens um papel secundário, assim como em Maps To The Stars. É impressionante!
Interpretei muito papéis pequenos em muitos filmes. Não faz qualquer diferença. Penso em mim como um aprendiz. Não sei realmente como fazer o que estou fazendo, estou sempre treinando. Então cada oportunidade de trabalho é uma lição para mim. E eu não tenho, literalmente, nada a perder. Por outro lado, há apenas alguns, poucos, bons papéis principais. A maior parte do tempo, esses papéis estão automaticamente ligados à promoção comercial. Muitas pessoas estão preocupadas se lhe dar uma interpretação estranha, mas você é mais livre em um papel secundário, pode quase fazer o que quiser!

Você falou em lições: o que aprendeu com David Cronenberg?
Cosmopolis foi muito importante para mim. Há Don DeLillo.. quando jovem ele queria ser músico e o processo de escrita do roteiro de Cosmopolis foi realmente musical. Antes deste filme, sempre pensei em um papel com as motivações dos seus personagens. Foi um processo cerebral. Mas em Cosmopolis, por causa do seu aspeto surrealista, o ritmo de escrita foi mais importante que as motivações psicológicas. Foi quando aprendi que podia dizer um monólogo inteiro sem pensar estritamente em psicologia mas na música escrita no roteiro. David concordou totalmente com aquilo, não podia simplesmente dizer minhas falas de uma maneira que parecia boa. Foi mais instintivo, e muito bom. E também aprendi muito ao ver alguém fazer um filme que no papel parecia impossível.

E com James Gray?
Ao ver o filme, percebi o quanto a interpretação está ligada a localização da câmara. E daí, o ator não tem de sentir a responsabilidade de contar a história sozinho... A maior parte do tempo, no set, tive a impressão de ser um extra. Contudo, trabalhei muito no meu personagem. Estava sempre perguntando ao James Gray se estava tudo bem e ele dizia 'sim está'. Mas eu perguntava 'mas não faço nada' e ele 'Você não fez nada, não se preocupe'. Sempre pensei que podia fazer mais. Mas o personagem surge simplesmente, e para isso tens de confiar no seu diretor. James Gray tem bom gosto, podemos confiar nele.

Cosmopolis é um papel minimalista, está na maior parte do tempo sentado no carro.
Verdade. Sou o tipo de pessoa mais calma, e com Cosmopolis estava na minha zona de conforto. Cada filme é uma progressão, e depois de Cosmopolis disse a mim mesmo que permaneci imóvel. Tornei-me mais à vontade fisicamente com The Rover para o qual quis realmente fazer algo com o corpo. Connie também, em Good Time, está à vontade com o seu corpo. Realmente à vontade!

Tens um método?
Não realmente. Nunca segui lições. Eu reajo muito à escrita. Se alguém escreve bons diálogos todo o resto segue. Geralmente, tento estar no personagem muito antes das filmagens. Mas não tenho nenhum outro método para além de conhecer o meu maior problema, o stress. Isso me impede de fazer qualquer outra coisa. Com a experiência do drone, entendi que preciso ir adiante para o set e ficar lá sozinho por um tempo para que o meu cérebro relaxe... Para Good Time aluguei um pequeno apartamento durante cerca de dois meses, não muito longe do de Josh. Só precisava de estar lá para pensar naturalmente sobre o filme a maior parte do tempo e simplesmente eliminar a tensão.

Você disse que normalmente demora muitos meses se preparar para o papel. Como é a preparação?
Apenas entender como confiar em si próprio. Como quando perde as chaves: no momento em que as encontras vem um sentimento familiar, 'Ah claro que as deixei ali!', mesmo que as tenhamos procurado por toda a casa, procurado em lugares nunca usados ou lugares absurdos. E quando as encontramos há um momento de reconhecimento. Tentar criar um personagem é a mesma coisa: procuramos algo em todos os lugares até encontrarmos esse mesmo sentimento familiar. Há muitas experimentações. Nunca temos tempo só para uma cena, então tens de fazer antes para estar pronto. E esquecemo sempre do que estivemos preparando. A outra regra é estar interessados no que fazemos, sem que nos chateie. De outra forma é inútil.

Isso é por dentro. Por exemplo, você nunca assiste as cenas que você filmou durante o dia?
Algumas vezes, não sistematicamente. Sabe, sou terrível e chato no trabalho. Para mim, cada cena é a pior que já fiz na vida. Eu me rejeito. Lembro-me que durante The Rover, David Michôd me disse 'é tão mau, vou começar a acreditar em ti'. Sim, esse é o meu processo de trabalho.

Mas o que te dá a sensação de encontrar um personagem e estar apto para interpretá-lo?
Pode ser o costume. Sou alguém muito tímido, mas às vezes basta dizer instintivamente algo de uma maneira boa para descobrir que não estamos envergonhados. E podia trabalhar. Começamos as filmagens de Good Time com a primeira cena em que estou. Estava incrivelmente nervoso. Completamente o oposto do Benny que podia entrar no personagem a qualquer momento e fazê-lo o dia todo! Então eu estava ao extremo, houve sempre pausas para esta cena. Eu estava fervendo, cheio de adrenalina (ele imita o seu estado, músculos tensos e hiperventilando) e apenas disse a mim mesmo 'é isso, vou fazer isto durante todo o filme! Sem pensamentos, apenas wow!' Até na cena em que estou beijando Taliah (Webster, que interpreta uma adolescente que o Connie) onde eu deveria estar relaxado, simplesmente sentado no sofá, eu me colocava nesse estado. Eu a assustei!

Sobre o que é vai ser o seu personagem em High Life de Claire Denis?
Acontecerá no futuro, o personagem é um astronauta. Ele é um criminoso que se voluntariou para uma missão em direção a um buraco negro, mas quando ele está a caminho de lá percebe que um médico quer fazer experiências sexuais com humanos no espaço. É um filme muito estranho. Não pensei nisso durante muito tempo, mas Claire falou comigo sobre isso, aqui em Cannes, e mostrou-me imagens experimentais do espaço, que eram completamente loucas. Adoro a Claire, mal posso acreditar que vou trabalhar com ela, e em um projeto de ficção científica. Será lindo.

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